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Do sagrado ao profano, tem batuque na pedra do sal

Do sagrado ao profano, tem batuque na pedra do sal

Jornalista Anderson Lopes
Por: Jornalista Anderson Lopes
28/03/2018 às 14h09
Do sagrado ao profano, tem batuque na pedra do sal
Foto: Reprodução

"É preciso mostrar que para ser livre não é preciso ser igual"!!!

 

SINOPSE -  GRES FEITIÇO DO RIO 2019

(Por: Daniel Guimarães e Antonio Gonçalves)

 

Ecoa o batuque... ritmado, sofrido, pungente... Ecoa no ritmo do cair de uma gota de suor (ou será de uma lágrima?)... da dor da escravidão. Pulsação sentida numa viagem que parece sem fim. Para muitos, o fim!

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"Caça" na tribo e o homem vira mercadoria, vendida num mercado da cor, com as marcas da dor! Nem as realezas se salvaram das garras da ambição. Tribos, países, nações trazidas em tumbeiros... "batucavam" o sofrimento, a crueldade, a humilhação...

Dezenas... centenas... milhares... homens... mulheres... crianças à venda nas proximidades da Pedra da Prainha, do cais, do destino de uma viagem sem volta à sua tribo, ao seu povo, à sua cultura... Mas a "vida" precisava seguir... tinha que seguir!

Chega a família real, chegam mais "mercadorias", a procura, agora, é maior! Mais "senhores"... mais "sinhás"... mais escravos!

O comércio aumenta (mais escravos), as fazendas aumentam (mais escravos), a atividade no porto aumenta (mais escravos)... novos trapiches, novos estaleiros (mais escravos)... precisava de mais sal (portanto, mais escravos).

De repente, uma luz! O comércio negreiro passa a ser considerado ilegal... mas pouco adiantaria, pois o sofrimento de quem já havia sido vendido continuou nas casas, fazendas e sobre a grande pedra de garimpo de sal.

Enfim, a abolição! Negros baianos vêm para o Rio em busca de uma vida melhor. Mas não vêm sós! Vêm batucando para seus Deuses... vêm trazendo e protegendo a sua cultura.

No terreiro de Alabá, Tia Ciata fazia suas oferendas junto a Bibiana, Perciliana e outras mais... A Pedra afirmava seu lado sagrado.

Na casa de Ciata, surgiria o samba... E pela Pedra passariam João da Baiana, Donga, Pixinguinha, Sinhô... Heitor Jovino... nasceriam os ranchos e cordões... cabarés... a malandragem, a boemia...A Pedra também guarda um lado profano!

Lados esses que fazem desse monte de granito insculpido um reduto de bambas... onde, aos seus pés, a cerveja gelada se mistura ao som do pandeiro, do repique, do tantã... à alegria e à fé...

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Seus degraus levam e fazem história... Chão repleto de cheiros, encantos, cantos e sons... Sons marcados no sagrado e que demarcam o profano. Lugar com marcas de gente guerreira. Outrora nos grilhões e hoje, ainda, querendo ser "livre"... para se manifestar, sorrir, viver, morar, amar...

Numa época em que é preciso mostrar que pra ser livre não é preciso ser igual, ecoa o batuque do nosso FEITIÇO pelos degraus da Pedra do Sal!

 

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Presidente Executivo: Antonio Gonçalves

Presidente do Conselho Deliberativo: Alexandre Federici

Enredista: Daniel Guimarães

Carnavalescos: Elídio Júnior e Daniel Sobral

 

 

- Jornalista Jorge Santos - 

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