Segunda, 18 de Maio de 2026
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Morre Noca da Portela, um dos maiores ícones do samba, aos 93 anos

Baluarte e um dos maiores vencedores de samba-enredo da azul e branca de Madureira estava internado com pneumonia; escola decretou três dias de luto oficial

Redação AL
Por: Redação AL Fonte: Cultura do Rio
17/05/2026 às 23h04 Atualizada em 17/05/2026 às 23h23
Morre Noca da Portela, um dos maiores ícones do samba, aos 93 anos
Noca da Portela - Foto de Capa: Divulgação

O mundo do samba está em luto. Morreu neste domingo (17), aos 93 anos, o cantor, compositor e baluarte Osvaldo Alves Pereira, popularmente conhecido como Noca da Portela. O sambista estava internado desde o dia 30 de abril em um hospital no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, inicialmente para tratar uma infecção urinária. Seu quadro se agravou após contrair uma pneumonia, o que levou à sua transferência para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde ele não resistiu.

A Portela, escola de coração do artista, lamentou profundamente a perda e decretou três dias de luto oficial. Em nota, a azul e branca de Madureira destacou que a voz e a genialidade de Noca permanecerão eternas na história da agremiação.

 

Sete vitórias e hinos imortais

Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, Noca mudou-se para o Rio de Janeiro ainda na infância. Sua trajetória na Portela começou no final da década de 1960, quando foi convidado a integrar a ala de compositores por ninguém menos que Paulinho da Viola.

Ao longo de mais de meio século de dedicação, Noca tornou-se um dos maiores vencedores de disputas de samba-enredo da escola, com sete conquistas marcantes. Ele assinou hinos que embalaram campeonatos e desfiles históricos na Sapucaí, como os clássicos "Macunaíma, Herói de Nossa Gente" (1975) e o inesquecível "Contos de Areia" (1984), ano em que a Portela se sagrou campeã no primeiro desfile do Sambódromo.

Além de sua forte ligação com os desfiles oficiais, Noca foi uma figura central no Carnaval de rua carioca. Ele compôs músicas emblemáticas para blocos tradicionais como o Cacique de Ramos e o Simpatia é Quase Amor, além de ter suas canções gravadas por gigantes da MPB, incluindo Elza Soares e Beth Carvalho.

 

Reconhecimento acadêmico e político

A relevância de Noca ultrapassou as fronteiras das quadras. Entre os anos de 2006 e 2007, o sambista assumiu o cargo de Secretário Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, trabalhando ativamente pela preservação das tradições populares. Em 2020, sua contribuição para a identidade cultural do país foi formalmente reconhecida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa.

 

Velório na quadra

A despedida do baluarte será realizada no local que ele adotou como segunda casa. O velório acontecerá na quadra da Portela, em Madureira, na próxima terça-feira (19). A cerimônia será aberta ao público, permitindo que a comunidade e os fãs prestem suas últimas homenagens ao mestre. Os horários exatos de início e do sepultamento ainda serão confirmados pela família.

 

 

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