Quinta, 14 de Maio de 2026
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Novo normal! O DIREITO DE PENSAR - Uma viagem radiofônica ao julgamento do macaco

Novo normal! O DIREITO DE PENSAR - Uma viagem radiofônica ao julgamento do macaco

Jornalista Anderson Lopes
Por: Jornalista Anderson Lopes
16/11/2020 às 20h14
Novo normal! O DIREITO DE PENSAR - Uma viagem radiofônica ao julgamento do macaco
Foto: Reprodução

O DIREITO DE PENSAR

Uma viagem radiofônica ao julgamento do macaco

Podcast resgata um histórico e polêmico debate envolvendo ciência, religião
e liberdade de pensamento. Diretamente do túnel do tempo para o "novo
normal"

ELENCO: [Magistrados - desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça do
Estado do Rio de Janeiro - advogados e atores convidados]



Um audiodrama gravado on-line, cujos atores contracenam via internet. Este é
o "novo normal" capaz de transformar uma história ocorrida nos Estados
Unidos, em 1925, que já virou peça e filme, num podcast com pegada de
radionovela do século 21. Assim é "O direito de pensar - uma viagem
radiofônica ao julgamento do macaco", podcast com seis episódios de duração
em torno de 50 minutos cada, projeto artístico da Escola da Magistratura do
Estado do Rio de Janeiro. Os episódios serão publicados sempre às
quintas-feiras, no site da EMERJ, ficando disponíveis em diversos
agregadores de podcast. O lançamento será no dia 5 de novembro - Dia
Nacional da Cultura -, e o último episódio irá ao ar no dia 10 de dezembro -
Dia Internacional dos Direitos Humanos.

SITE :
https://www.emerj.tjrj.jus.br/

A diretora teatral e servidora da justiça Sílvia Monte, idealizadora do
projeto, reuniu um grupo de magistrados e advogados com quem já realizara
alguns espetáculos sob forma de leitura dramatizada - "Os físicos", de
Friedrich Dürrenmatt; "Antígona", de Sófocles; "12 jurados e uma sentença",
de Reginald Rose -, para a criação de um evento artístico durante o
isolamento social. Juntos, começaram a pensar sobre um texto que englobasse
temas como liberdade de pensamento e expressão, ciência e religião -
assuntos que estão na pauta do dia no Brasil e no mundo.

Foi assim que surgiu a ideia de resgatar o emblemático processo do professor
de ciências John Thomas Scopes, julgado por ensinar a Teoria da Evolução de
Charles Darwin a estudantes da oitava série numa escola pública em Dayton,
no estado americano do Tennessee, em 1925. O caso, que ficou conhecido como
"Julgamento do macaco", é bastante familiar ao meio do Direito e tornou-se
muito conhecido do público quando foi eternizado pelos autores
estadunidenses Jerome Lawrence e Robert E. Lee na peça "Inherit he Wind"
(1955), posteriormente adaptada para o cinema.

"O audiodrama fala de liberdade de pensamento, ciência, religião e direitos
civis dos EUA de 1925, temas polêmicos no Brasil de 2020", explica Sílvia
Monte, que também escreveu, dirigiu e produziu o podcast. Para ela, foi
incrível e desafiadora a experiência de misturar personagens reais de uma
história remota com personagens da nossa realidade, combinando falas de
ontem e de hoje. "História, ficção e realidade entrelaçadas para pensarmos
nossa realidade marcada por intolerância e fundamentalismo", resume a
diretora.

Inicialmente, a proposta era realizar, de modo remoto, uma leitura
dramatizada de "Inherit the Wind". Num segundo momento, pensou-se em adaptar
o clássico para o rádio. Finalmente, o grupo lançou-se a transformar o
"Julgamento do macaco" num audiodrama inédito, tendo como fonte a
transcrição do julgamento original e artigos da imprensa da época.

A decisão foi a saída encontrada para o isolamento social, que não permitia
um evento artístico presencial, atendendo também ao desejo de criar algo
exclusivo que abordasse temas caros à nossa sociedade. Como motivação extra,
o fato de o famoso julgamento ter sido o primeiro transmitido ao vivo pelo
rádio; nada melhor, então, do que atualizar o caso criando uma trama
original para o formato contemporâneo de rádio: o podcast. E se o audiodrama
é "irmão" da radionovela, cabe a uma rádio fictícia noticiar essa história.

A aventura teve início com a criação do texto, parceria da própria Sílvia
Monte com o professor da Escola de Comunicação da UFRJ e diretor teatral
José Henrique Moreira, também responsável pela pesquisa e pela tradução das
atas do processo de 1925. Colaborou ainda, como dramaturgo assistente, o
advogado Ricardo Leite Lopes, que já escrevera com Sílvia a peça "POR ELAS -
Até que a morte nos separe" (2016), sobre violência contra a mulher e
feminicídio. 

O segundo passo foi montar o elenco, formado por oito magistrados do
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - desembargadores e juízes
-; um advogado, também magistrado aposentado; e dez atores profissionais. A
trilha sonora também está a cargo de um desembargador, dublê de músico e
magistrado, e conta com a participação especial do Coral do Centro
Tecnológico da UFRJ.  Durante oito meses, o grupo encontrou-se via internet,
cada um em sua casa, na frente de computadores, celulares e tablets. Assim
aconteceram as reuniões de dramaturgia e os encontros com os integrantes de
cada área - artística, técnica e produção -; assim como os ensaios e as
gravações dos episódios.

O podcast é uma realização da EMERJ - sob o comando do diretor-geral da
instituição, o desembargador André Gustavo Corrêa de Andrade, que faz
inclusive uma participação especial no quinto episódio.



DEPOIMENTOS DE MAGISTRADOS

"Tenho como um privilégio participar do audiodrama 'O direito de
pensar', empreendimento artístico que, para além de criativo e inovador pela
plataforma escolhida em tempos de pandemia, mostra-se absolutamente oportuno
e atual, embora baseado em fatos reais ocorridos na primeira quadra do
século passado. A ideia de reviver o chamado 'Julgamento do macaco' surge
consistente com os tempos sombrios que experimentamos pela reedição de
posturas e práticas obscurantistas - para não dizer fascistas - em todo o
mundo. Conquistas históricas que pensávamos inabaláveis e permanentes
encontram-se sob ameaça de ruírem, tais como o estado laico e a liberdade de
expressão e pensamento." (ELIZABETH LOURO - Juíza de Direito / TJERJ) 

 

"Tem sido inspirador repensar a justiça através da arte; discutir o
cisma entre religião e ciência por meio da dramaturgia, e refletir sobre a
arte em si, ao experimentar nova forma de expressão. Uma iniciativa
desafiadora, emocionante e essencial." (RICARDO ANDRADE - Juiz de Direito /
TJERJ)

 

"Participar desta montagem teatral de 'O direito de pensar' no
formato de audiodrama, além de uma honra, foi para mim um importante
aprendizado.   Ao resgatar as circunstâncias que cercaram o famoso
'Julgamento do macaco', somos instados a refletir sobre as virtudes e
mazelas da sociedade, representadas no microcosmos de Dayton, pequena cidade
encravada no interior do sul estadunidense, quase cem anos atrás.
Curiosamente, muitas das vicissitudes daquela comunidade, embora envoltas em
outros disfarces, ressurgem revigoradas nos dias de hoje, ao redor do mundo,
e peculiarmente em nosso país: radicalismo, ameaças à liberdade, discursos
de ódio, xenofobia, preconceitos de raça, gênero, religião, entre outros.
Não podemos assistir impassíveis a esses atentados à nossa tão preciosa
democracia, com os quais o ouvinte há de se deparar no belo e ágil texto de

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