Sábado, 16 de Maio de 2026
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"O Conto do Vigário", confira a Sinopse da Acadêmicos de Vigário Geral

"O Conto do Vigário", confira a Sinopse da Acadêmicos de Vigário Geral

Jornalista Anderson Lopes
Por: Jornalista Anderson Lopes
02/08/2019 às 22h39
Foto: Reprodução

Confira abaixo a Sinopse do G.R.E.S Acadêmicos do Vigário Geral, "O Conto do Vigário".

 

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O conto do vigário é uma 'expressão' usada em Portugal e no Brasil significando uma história elaborada com o objetivo de burlar alguém.Wikipédia

 

 

((( O CONTO DO VIGÁRIO )))

Eu sou uma espécie de farsa encenada

Uma piada recontada em que a graça chegou ao fim

Mas que muitos ainda cismam em continuar a sorrir.

Sou a palavra refeita, marota e travessa

Tão louca quanto os delírios que contaram sobre mim.

Eu já fui parte do imaginário numa quimera medieval

De Paraíso a Eldorado através de lendas me chamaram.

Há quem ainda acredite nas frases que descreviam

De forma impactante exuberâncias, delírios e encantamentos

Do que eu reservava.

Entre aves que eram anjos a selvagens sem vergonha

Pergunto-me,meu nascimento, quando se deu?

Fui batizado à mercê da sorte ou da morte

Dos que tanto me cobiçaram, seja em nome da fé ou de um rei.

Por outras vezes, fui o ideal de riqueza

Sendo enfim, a solução mais pobre para os problemas nobres.

Mas ao me reconhecerem de fato e descreverem em longas páginas

Que nada de valioso se viu ao aportarem em mim

Me tornei apenas a terra avistada

Que alguém um dia "descobriu" e que por anos não quis mais saber.

Sou aquele conto arremedado de sonhos e quimeras

A chance de toda gente crescer, onde se plantando tudo daria

Mas fui explorado, saqueado, acrescido, garimpando...

Poderia ter sido um sonho, mas a realidade ainda me dói demais

Sou a terra que aprisionava quem sonhava com a liberdade.

Fui a terra dos tolos que vieram em busca do reluzente vil metal.

Como um santuário de beleza, riqueza e prosperidade

Assim fui vendido, exportado, divulgado e enaltecido.

Passei séculos testemunhando os contos que contavam por aí

Nacionalizando vigaristas e trapaceiros

Naturalizando mentiras e meias verdades

E validando um jeitinho que parece não ter mais conserto.

Muitos são os contos, desde a colônia até a independência

Passando pelo sonho de liberdade que se realizou.(Será?!)

Sou uma espécie de coisa pública nascida de golpes em golpes

Em que uma nova era prometida sempre camufla o que já é antigo

No moderno jeito de se fazer política.

Aliás, a política sozinha é um conto infinito de possibilidades

Que minha gente não cansa de profanar e reinventar

Caindo no conto de requentadas promessas que lhes convém.

Vi o homem criar e recriar o modelo do que eu me tornaria.

E ainda assim continuo a ser aquele imaginário delirante

Com ares de novidade e renovação que algum ufanista descreveu.

Sou também um bom conto para o povo de Vigário.

Lá, ele testemunha a realidade de duras mazelas que saltam à face

Refutando as imagens estampadas no cartão postal

Onde os corações de mães ainda se solidarizam

Em busca de alento, respostas, justiça!

E que são apenas representantes de tantas outras realidades

Que contrariam quem diz ser um conto a desigualdade social.

Porém, o mais interessante, o conto por vezes delirante

É o que se constrói sobre um fio de esperança

Em que se haveria uma chance remota de eu dar certo

Seja por sorte ou por viver à espera de alguém a me guiar

E que, milagrosamente, nos salvaria.

Mas sem deixar de ser a caricatura do inzoneiro mulato

Aquele que pousa à sombra do coqueiro

Recordando o paraíso de outrora.

Sou a terra das palmeiras, das rasteiras

Das mil maneiras de enganar e de se dar bem.

E neste auto engano me pinto em aquarela

Me retrato através da beleza da minha gente e do meu som

Em que até o vigarista mais esperto é capaz de acreditar.

É isso aí meu povo!

Se o conto do vigário é uma mentira que gera nos outros

A crença em uma verdade legítima

Sou a materialização perfeita daquilo em que se faz acreditar.

Sou o Brasil! Esse grande conto

Contado e atualizado, constantemente!

E hoje, no palco da fantasia, no delírio da alegria

Em que dizem ser possível esquecer

O que faz na minha gente tanto mal

Cá estou eu a fazer parte de mais um conto do seu carnaval.

Enredo: Rodrigo Almeida

Pesquisa e texto: Anderclébio Macêdo

 

 

 

 

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-Emerson Pereira-

Assessor de Imprensa

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