Sábado, 16 de Maio de 2026
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Entra na roda e Ginga, Unidos de Padre Miguel entrega Sinopse aos compositores

Entra na roda e Ginga, Unidos de Padre Miguel entrega Sinopse aos compositores

Jornalista Anderson Lopes
Por: Jornalista Anderson Lopes
17/07/2019 às 20h01
Entra na roda e Ginga, Unidos de Padre Miguel entrega Sinopse aos compositores
Foto: Reprodução

Na tarde de sábado, 13 de julho, a direção da Unidos de Padre Miguel se reuniu com a ala de compositores para realizar a explanação e entrega de sua sinopse para o carnaval 2020.

 

Confira: Pula a fogueira, iaiá! 2a edição do Sambarraiá do Projeto Criolice no Parque de Madureira

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Antes da leitura  da sinopse, rolou uma apresentação de capoeira com o grupo Cia Capoeira, que realiza um projeto na comunidade da Vila Vintém, em Padre Miguel. Um vídeo de divulgação do enredo também foi apresentado aos compositores, logo depois, o pesquisador Marcos Roza realizou a leitura da sinopse e o carnavalesco Fábio Ricardo fez a explanação do enredo que contará a história da capoeira  aos  poetas da vermelho e branco da Zona Oeste

- Peço a todos os compositores que respirem a capoeira, peguem livros, peguem vídeos, levem para dentro das casas de vocês e tragam  sambas maravilhosos para nossa escola. Que vocês tenham um carinho muito grande por esse enredo e pela Unidos de Padre Miguel – afirmou o carnavalesco.

 

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O diretor de carnaval Cicero Costa, aproveitou a oportunidade e anunciou o calendário da disputa. – Vamos começar nossas atividades no dia 18 de agosto, onde faremos a apresentação dos sambas em nossa quadra  durante a feijoada. Na sexta-feira, dia 23, faremos a primeira eliminatória  e nossa final do samba acontecerá no dia  06 de setembro. – disse Cicero Costa.

Ainda de acordo com o diretor de carnaval, os compositores poderão tirar as dúvidas nos dias 20 e 27 de julho com o carnavalesco Fábio Ricardo na quadra da escola a partir das 16 horas . Já no dia 10 de agosto, de 16h às 19h  os compositores deverão entregar suas obras na quadra da escola e pagar uma taxa de R$ 200,00 (duzentos reais) por parceria, que devem ser pagos no ato da entrega do samba-enredo concorrente, além disso, as parcerias deverão entregar em envelope ( 03 cds + 30 cópias da letra + 01 pen-drive com letra e áudio do samba, sendo esse pen-drive obrigatório.)

A Unidos de Padre Miguel levará para a avenida o enredo Ginga!

 

 

PRESIDENTE: RENATO MAROTO

FUNDAÇÃO: 12/11/1957

CORES: VERMELHO E BRANCO

DIRETORES DE CARANAVAL: CÍCERO E NANA COSTA

CARNAVALESCO: FÁBIO RICARDO

HISTORIADOR-ENREDISTA: MARCOS ROZA

 

G.R.E.S. UNIDOS DE PADRE MIGUEL SINOPSE DO ENREDO

Ginga

Carnavalesco: Fábio Ricardo Pesquisa e texto: Marcos Roza

 

Viajando no tempo da poesia, nasço da espontaneidade sagrada, do mítico ritual do povo Mocupe do sul de Angola. Brincando entre as brisas, filhas do vento, desperto o desejo de conquista de jovens guerreiros à dança do N’golo. Lembro-me bem: os tambores anunciavam a preparação da Enfundula

– festa de passagem à vida adulta –, quando as raparigas fertilizavam o sangue da puberdade num misterioso cio, que encorajava rapazes a lutar pela disputa de suas esposas.

No afã da minha gente, sou a doce e constante firmeza de elo e abrigo. Filha da Mãe África, “berço da humanidade”, cresço entre seus ritos de mistérios e verdades, templo sagrado de Okô – divindade da agricultura, formo do sábio cultivo da terra e do domínio que forja as ferramentas ao seu plantio; dita ventura à típica pecuária, entrelaço-me à candura dos diversos encantos de sua cultura.

Mãe! Eu sou a extensão do seu umbigo, fruto que brota desse chão, a força e o espírito de nossas tribos... Assim, eu sigo, levada pela tradição de seus ensinamentos, a destreza para vencer os inimigos.

Tudo ressignificava o meu saber, emergindo da linha do horizonte, trazida pelo cerne da dor e do lamento. Cruzo a imensidão dos mares entre a calmaria e a tempestade, acorrentada pela intolerância de homens fiéis à ganância e ao poder.

Desprovida de liberdade, meu corpo padece, é escravo por fim. Mas não é rendido, apesar de ferido, encontra o elo supostamente perdido.

 

Por bem ou por mal aos ferros expostos, terei, eu, sorte igual? Longe das minhas paisagens habituais, velo a alma coberta de poesia tradicionalmente africana, em terras distantes. Entre pregões e a violenta estada no “Cais do Valongo” – por onde chegaram milhares de negros escravizados, sigo o “bando banto”. Abrasada nas senzalas, rompendo o silêncio de noites sombrias, sou incorporada feito arte matuta, uma espécie de dança, disfarçada entre os afazeres da labuta. Mas é na hora da fuga, usando os pés, as mãos e a cabeça, que me revelam como luta – subtraída da dor contra as “leis do opressor”.

 

Diante do que se vê, tudo parecia uma cilada: numa relação humana, onde o elemento principal é a expressão do corpo, sou alvo do realismo fantástico de olhares estrangeiros. Telas são pintadas registrando a vida urbana, fosse de forma sóbria ou insana, o fato é que o ato da pitoresca caravana representa um fenômeno antropológico intrinsecamente ligado a diversos episódios da minha trajetória.

Como a inocência de uma criança, ibejê de esperança, sou praticada em círculo de arte-defesa. Pura ou armada à ladainha do mestre Pastinha e entre tantos outros camaradas, minha filosofia é criada. Abençoados sejam meus filhos, pois chegou a hora: repouso íntima e genuína aos valores da tradição de Angola. Com o saber gravado n’alma, danço, gingo, pulo, brinco e rodopio.

Da cerimônia ao desafio: peço a benção nos pés do atabaque e o jogo inicia. Saio no “aú”, me fortaleço no “rabo de arraia”, finco meu pé e não entro de “bua”, planto “bananeira”, solto “meia- lua”...me esquivo na “negativa” e o jogo continua...

“Sou manha, malícia, mandingueira, sou tudo o que a boca come...” Como guardiã da cultura negra e da preservação do seu saber, abro minhas rodas nas ruas, nas feiras, nas festas, nos cais, comandada pelo berimbau...regidos por vareta e bordão, soam o “Gunga”, o “Médio” e o “Viola”. Também seguem o ritmo: chocalho, reco-reco, agogô e pandeiro.

Toques, cantos, cantigas, corridos e ladainhas, tudo numa só sintonia: “São Bento Pequeno, Jogo de Dentro, Ave-Maria, São Bento Grande, Cavalaria, Maculelê, Benguela, Santa Maria".

Canto e o coro responde: “Paraná-auê, Paraná-auê, Paraná...ê viva meu mestre, ê viva meu mestre camará, quem me ensinou...ê quem me ensinou camará...ê vamo-nos embora...ê vamo-nos embora camará... ê pelo mundo afora...ê pelo mundo afora camará...”

Mas, diante dos dados reais da vida, me pego pensando: sofri imensa perseguição e poucos sabem que dois anos depois da Abolição, Marechal Deodoro da Fonseca decretou minha proibição. Assim prossegui, entre brigas e arruaças, até o ano de 1932. Quando mudam o meu feitio, saltante, esportiva, com golpes rápidos e técnicas de arte marciais, fico mais ligeira e politicamente correta, aceita pela sociedade brasileira. Ganho status de uma tal gente bacana, que pelos ensinamentos de mestre Bimba, passa a me chamar de Luta Regional Baiana. Nesse espaço social, por meio de um novo decreto presidencial, sou legalizada como profissão. Saio da pauta policial e, na condição de esporte e lazer, sou praticada em todo território nacional.

Dominada pela carga simbólica dos signos místicos da cultura afro-brasileira em meio dos quais cresci, abro as cortinas do passado, saúdo os meus heróis – que tradicionalmente gingaram, relacionando-se até hoje suas atividades à história de luta e à formação do povo brasileiro: a realeza de Zumbi, do Quilombo dos Palmares; a “ginga verbal” de Machado de Assis; as batucadas e o candomblé de Tia Ciata; o olhar cotidiano de João do Rio; a plasticidade de Rubens Valentim; o Brasil folclórico de Macunaíma e os sambas de Candeia cantados em jongos, pontos de umbanda, sambas de roda e partido-alto, cantigas de maculelê e sambas de enredo.

 

Meu gingado é a gira, que corre gira nas rodas pelo mundo.

Seguindo o caminho voltado para a cultura, luta e resistência do povo brasileiro,

consagro-me ao receber tamanho reconhecimento de Patrimônio Imaterial da Humanidade, de roda e ofício. Ao enredo do meu samba, unindo a todos que vão e que vêm,

enalteço a força e a raiz quilombola da comunidade da Vila Vintém.

 

À devoção dos meus filhos, sou padroeira, sou a ginga do carnaval da Unidos de Padre Miguel. Nessa mistura brasileira, Sou mandinga,

A todos digo Feliz e sorrateira:

Muito prazer,

Eu me chamo Capoeira.

 

Ideia Original e Carnavalesco: Fábio Ricardo

Pesquisa e Texto: Marcos Roza

 

Bibliografia Consultada:

ALMEIDA, Raimundo César A., Bimba, Perfil de um Mestre, Imprensa Gráfica Universitária, Salvador, 1980.

AREIAS, Almir das, O que é Capoeira, São Paulo, ed. Brasiliense, 1983.

BURLAMAQUI, A Ginástica Nacional (Capoeiragem Metodizada e Regrada), Rio de Janeiro, 1928. CAPOEIRA, Nestor, O Pequeno Manual de Capoeira, ed. Ground, 1981/ 4a. edição revisada: Rio de Janeiro, ed. Record, 1998.

CARNEIRO, Edson, Capoeira, MEC - Campanha de Defesa do Folclore, Rio de Janeiro.

              , A Herança de Pastinha, Coleção São Salomão, 1997.

MARINHO, Inezil Penna, A Ginástica Brasileira, Gráfica Transbrasil Ltda, Brasília, 1981. OLIVEIRA, José Luiz, A Capoeira Angola na Bahia-2a. edição, ed. Pallas, Rio de Janeiro, 1997. OLIVEIRA, Waldemar, Capoeira-Frevo-Passo, Companhia Editora de Pernambuco, 1971.

PASTINHA, Mestre, Capoeira Angola, 3a. ed., Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1998.

REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, “Capoeira de Raiz: Angola pistas da arte ancestral”, v.3, n. 30, 2008.

VIEIRA, Luiz Renato, O Jogo da Capoeira - Cultura Popular no Brasil, Rio de Janeiro, ed. Sprint, 1998.

 

 

 

 

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-Mônica Marinho-

Assessoria de Imprensa e Comunicação

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