
A Unidos da Tijuca definiu, na madrugada deste domingo (13), a trilha sonora oficial que guiará seu desfile no Carnaval 2027. Em uma final marcante realizada em sua quadra no Santo Cristo, a diretoria da agremiação do Borel consagrou a parceria dos compositores Ian Ruas, Caio Miranda e José Carlos como a grande campeã do concurso.
A vitória do trio consolidou-se após um episódio inesperado: uma pane técnica interrompeu o sistema de som da quadra durante a apresentação. Em resposta imediata, a comunidade e os componentes assumiram o canto "no gogó", sustentando a obra inteira sem auxílio de microfones em um uníssono avassalador. O termômetro definitivo carimbou o favoritismo da composição de forma incontestável perante o corpo de jurados e a presidência da agremiação.

Mas o que era para ser apenas uma final virou uma noite histórica de catarse coletiva - Fotos: Marcelo Moura / @fotografomarcelomoura
O hino servirá de base lírica para o verso que sintetiza a promessa e a profecia da comunidade:
“O dia vai chegar / Não vou tentar conter a emoção / Vou me esconder pra ver comemorar / Aquele mais humilde folião...”
E o dia realmente chegou. As lágrimas contidas no peito do sambista de raiz deram lugar à comemoração legítima no templo da amarelo ouro e azul do pavão, celebrando um hino nascido da sinergia direta com a escola.
Pelo segundo ano consecutivo, a Unidos da Tijuca aposta no entrelaçamento entre a folia e a literatura brasileira. O tema escolhido para 2027 é “A Cabeça do Santo”, baseado no best-seller homônimo da consagrada escritora cearense Socorro Acioli, que marcou presença no evento e acompanhou de perto a escolha do samba.
A narrativa propõe mergulhar no misticismo e no realismo fantástico do Nordeste, contando a história de uma estátua inacabada de Santo Antônio. O projeto é inteiramente desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato, estreante na agremiação.

O novo hino será a trilha sonora do enredo “A Cabeça do Santo”, desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato e inspirado na célebre obra literária de Socorro Acioli - Fotos: Marcelo Moura / @fotografomarcelomoura
O Portal AL apurou os detalhes que tornaram este concurso um marco para o Carnaval carioca. Em uma decisão estratégica de bastidores, a direção da escola buscou resgatar a essência das antigas disputas de samba-enredo.
-O concurso deste ano adotou um modelo estrutural diferenciado, focado integralmente na igualdade de condições entre os concorrentes. Com a redução física do palco, a proibição de torcidas organizadas contratadas e o veto à gravação de videoclipes institucionais, a direção neutralizou o poder do investimento financeiro para valorizar puramente o peso intrínseco de cada melodia.
-Das 15 parcerias que se inscreveram originalmente no início do processo, quatro chaves finalistas alcançaram a etapa decisiva. Elas dividiram o palco em apresentações defendidas com garra e paixão por seus defensores.
-O evento carregou uma carga emocional histórica por se tratar da última grande final de samba-enredo disputada na tradicional quadra da Avenida Francisco Bicalho. O espaço, que abrigou os eventos oficiais da agremiação por 34 anos, passará por um processo de despedida definitivo no início do próximo ano devido à mudança de endereço da escola.
A Unidos da Tijuca será a segunda escola a cruzar o Sambódromo na segunda-feira de Carnaval, no dia 8 de fevereiro de 2027. A escola chega credenciada por um hino que já provou sua força orgânica e o poder de seu canto dentro de sua própria comunidade.
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