O feriado de 7 de setembro entrou definitivamente para a antologia da Cidade do Rock. Em uma noite em que o patriotismo e o orgulho cultural ditaram a moda do público na arena com casacos, bandeiras e adereços em verde e amarelo contrastando com o clima frio e chuvoso carioca, o quarto dia do Rock in Rio 2026 provou por que o festival continua sendo o maior ecossistema de entretenimento do planeta.
O Portal AL acompanhou de perto a movimentação na Barra da Tijuca e traz os detalhes exclusivos de uma jornada marcada por encontros geracionais, quebras de protocolo e uma reparação histórica no cenário nacional.
A grande expectativa da noite recaía sobre Sir Elton John. Aos 79 anos e com os ingressos esgotados há meses, o astro britânico subiu ao Palco Mundo às 23h com a missão de fazer as pazes com o público brasileiro. Após encerrar sua monumental turnê mundial de despedida em 2023 sem passar pela América Latina, o cantor abriu uma exceção exclusiva em sua aposentadoria dos megapalcos para agradecer o carinho dos fãs do país.
Chuva, choro e quebra de protocolos! O quarto dia de festival reuniu lendas que interromperam suas aposentadorias e entregaram tudo no Rio de Janeiro - Fotos: Instagram / @rockinrio
Sentado ao seu lendário piano de cauda, o "Rocket Man" desfilou uma sequência avassaladora de hits, incluindo "Your Song", "Tiny Dancer", "Bennie and the Jets" e uma versão intimista de "Candle in the Wind". Mesmo com as naturais mudanças na voz trazidas pela idade, a imponência técnica e o domínio de palco de Elton John paralisaram a arena em um momento de pura catarse coletiva e nostalgia.
Pouco antes, o Palco Mundo testemunhou a poesia viva de Gilberto Gil. Vindo da aclamada turnê "Tempo Rei", Gil comandou o público com um repertório cirúrgico que celebrou sua própria imortalidade na música brasileira. A tônica de celebração continuou com o norte-americano Jon Batiste, que adicionou um elemento performático brilhante ao show ao convidar a bailarina Ingrid Silva para uma apresentação ao som de "Butterfly"
A abertura do palco principal ficou por conta do encontro estético refinado de Luísa Sonza e o mestre da bossa nova Roberto Menescal. O dueto deu o tom de como a nova geração pop reverencia as fundações da MPB, abrindo as portas para um feriado com forte essência brasileira.
Se o Palco Mundo guardou o protocolo das grandes lendas internacionais, o Palco Sunset protagonizou momentos que incendiaram as redes sociais. A grande consagração da tarde foi a estreia tardia, porém triunfal, de Guilherme Arantes. Um dos maiores criadores de sucessos da nossa música, o cantor de 73 anos nunca havia se apresentado no festival. Convidado pelo grupo Roupa Nova, Arantes sentou-se ao piano para cantar "Cheia de Charme" e "Lindo Balão Azul", sob um coro monumental da plateia que acendeu as luzes dos celulares em um espetáculo visual emocionante.
A noite no Sunset ainda teve a sofisticação pop de Vanessa da Mata ao lado de Rubel, e uma performance memorável de Péricles. Deixando momentaneamente o pagode de lado, o artista vestiu a carcaça da soul music para homenagear a icônica gravadora norte-americana Motown, entregando vocais poderosos que surpreenderam a crítica e fizeram a Cidade do Rock dançar sem parar.
Apesar das oscilações típicas de um festival com múltiplos palcos e as dificuldades trazidas pela chuva, o esquema montado para o feriado fluiu bem no transporte público. O Metrô Rio e as frentes do BRT operaram em esquema especial de 24 horas, escoando a multidão com segurança para fora do Parque Olímpico após o show de encerramento.
O Rock in Rio 2026 faz agora uma pequena pausa estratégica e retorna na próxima sexta-feira, 11 de setembro, abrindo as comportas para o segundo bloco de shows que promete arrastar mais milhares de turistas para os solos cariocas.
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