
O terceiro dia do Rock in Rio 2026, realizado neste domingo (6) no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, foi o verdadeiro teste de resistência do público e o primeiro grande marco de bilheteria desta edição. Com todos os ingressos esgotados há semanas, cerca de 100 mil pessoas transformaram a Cidade do Rock em um cenário épico onde a forte chuva e o frio atípico de 17 graus não foram páreos para o poder da nostalgia dos anos 1980, 1990 e 2000.
Se por um lado as condições climáticas impuseram desafios logísticos rigorosos, por outro, criaram a atmosfera perfeita para apresentações que já entram para a antologia do festival.
O grande marco da noite aconteceu na madrugada de segunda-feira. O DJ e produtor escocês Calvin Harris quebrou um tabu histórico de décadas ao se tornar o primeiro DJ internacional a assinar o posto de headliner absoluto de encerramento do Palco Mundo.
Mesmo debaixo de uma chuva persistente, Harris encontrou uma multidão totalmente disposta. Abrindo o set com o clássico "Sweet Nothing" (sucesso de 2012 com Florence Welch), o escocês utilizou a nova e monumental estrutura de LED do palco, que conta com 2.400 m² de painéis de alta definição, para criar um espetáculo visual avassalador. Emendando um hit atrás do outro, o DJ transformou o gramado encharcado do Parque Olímpico em uma gigantesca rave a céu aberto, provando que a música eletrônica conquistou de vez o topo do maior festival do país.
Antes da apoteose eletrônica, o Palco Mundo operou como um verdadeiro "baile de formatura" geracional. O rapper americano Nelly fez sua aguardada estreia em palcos brasileiros, trazendo a carga máxima de nostalgia com hinos como "Dilemma" e "Hot in Herre", aquecendo o público que já começava a se vestir inteiramente de capas de chuva.
Na sequência, o Black Eyed Peas, atualmente formado pelo trio will.i.am, Apl.de.ap e Taboo, comandou uma festa de alta energia. O grupo balançou a Cidade do Rock com "I Gotta Feeling" e "Let's Get It Started", além de apresentar novas faixas e interagir intensamente com a plateia, que pulava sem se importar com o estado do gramado.

O tempo fechou no Rio de Janeiro, mas a energia na Cidade do Rock foi às alturas! - Fotos: Instagram / @rockinrio
A abertura do Palco Mundo e as apresentações do Palco Sunset garantiram os momentos mais emocionantes e de maior impacto cultural do dia:
-O Barão Vermelho, em uma apresentação especial com sua formação original (Frejat, Guto Goffi, Maurício Barros e Dé Palmeira), celebrou seu legado histórico diretamente ligado à primeira edição do festival, em 1985. O ápice das lágrimas e do arrepio coletivo veio em "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", quando a banda realizou um dueto virtual, unindo a voz de Frejat ao vivo com as imagens e os vocais originais de Cazuza projetados nos gigantescos telões.
-No Palco Sunset, durante o elogiado tributo a Tim Maia realizado pelo Jota Quest ("Jota Quest & Tim Maia - Dance Enquanto É Tempo"), a Cidade do Rock testemunhou um momento histórico. O lendário Tony Tornado, aos 96 anos de idade, subiu ao palco esbanjando uma vitalidade impressionante ao lado de seu filho, Lincoln Tornado. Juntos, eles cantaram o clássico "Sossego", consagrando Tony Tornado como o artista mais velho a se apresentar na história do Rock in Rio.
Nem só de glamour se fez o terceiro dia. Diante do volume de água e por estritas razões de segurança da organização, as ativações e os brinquedos radicais da Cidade do Rock, como a famosa tirolesa e a montanha-russa, tiveram seus agendamentos e operações suspensos temporariamente.
O contraponto visual da noite foi a transformação da moda festival: os looks minuciosamente planejados deram lugar à uniformização das capas de chuva coloridas e botas cheias de lama. No Palco Sunset, o BaianaSystem transformou o "perrengue" em combustível. O vocalista Russo Passapusso comandou uma autêntica celebração sob o temporal, batizando a chuva forte como uma "bênção" sobre o público que abria rodas de dança no meio do gramado alagado.
O terceiro dia do Rock in Rio 2026 entregou o pacote completo do que faz o festival ser gigante: superação climática, inovação de gêneros, recorde de público e momentos que conectaram o passado da música brasileira diretamente com o futuro.
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