Katmandu, Nepal – Um rastro absoluto de guerra, desespero e destruição. As encostas da Cordilheira do Himalaia, na vulnerável região de fronteira entre o Nepal e o Tibete (China), viraram o epicentro de um dos desastres climáticos mais avassaladores dos últimos tempos. Sem qualquer aviso, o colapso estrutural de imensas barreiras de gelo disparou um efeito dominó catastrófico: uma colossal avalanche de lama e inundação repentina despencou das montanhas, engolindo vilarejos inteiros e obliterando tudo o que encontrou pelo caminho.
Até o momento, as autoridades locais confirmam um rastro de sangue e devastação: pelo menos 98 mortos e 844 pessoas desaparecidas. O número de vítimas não para de subir à medida que as equipes de resgate conseguem avançar pelo terreno tomado por um mar de detritos e terra.
O tremor de terra rompeu a estabilidade das montanhas, fazendo com que toneladas de gelo, água e lama descessem em velocidade avassaladora pelos distritos de Rasuwa (Nepal) e pelo condado de Gyirong (Tibete).
Força da enxurrada arrancou pontes e bloqueou principais rotas comerciais e turísticas da região do Himalaia - Foto: Navesh Chitrakar / Reuters
-Casas, hotéis e comércios sumiram do mapa em poucos minutos.
-Pontes foram arrancadas, estradas ruíram e usinas hidrelétricas da região sofreram danos severos.
-O porto terrestre de Gyirong, vital para o comércio e turismo entre os dois países, ficou completamente inoperante, sem energia elétrica ou comunicações.
Como a região é um dos principais destinos do mundo para montanhistas, ecoturistas e peregrinos religiosos, o Conselho de Turismo do Nepal emitiu um alerta dramático: centenas de turistas estrangeiros estão entre os desaparecidos. Famílias do mundo inteiro vivem horas de pura angústia em busca de notícias.
O exército e a polícia nepalesa travam uma corrida contra o tempo em uma operação de guerra. No entanto, o relevo acidentado e as condições climáticas extremas impedem o pouso de helicópteros, forçando os socorristas a cavar a lama com as próprias mãos em busca de sobreviventes.
A tragédia choca o planeta e expõe, mais uma vez, a extrema vulnerabilidade da região do Himalaia diante da fúria da natureza.
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