Quarta, 13 de Maio de 2026
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O custo do silêncio: Câncer de ovário consome R$ 469 milhões do SUS em meio a diagnósticos tardios

De sintomas confundidos com problemas intestinais ao diagnóstico tardio, especialistas explicam por que o câncer de ovário continua sendo um dos maiores desafios da saúde feminina

Redação AL
Por: Redação AL Fonte: Saúde Pública
13/05/2026 às 14h12
O custo do silêncio: Câncer de ovário consome R$ 469 milhões do SUS em meio a diagnósticos tardios
Imagem criada com auxílio da IA

Quando mulheres conhecidas do grande público decidem falar sobre saúde íntima e doenças ginecológicas, o impacto costuma ir além das redes sociais. Casos envolvendo celebridades como Ana Maria Braga, Shannen Doherty e Kylie Minogue ajudaram a ampliar a discussão sobre cânceres femininos e, principalmente, sobre a importância do diagnóstico precoce.

Agora, um levantamento inédito da plataforma EpiMarket, da Techtrials, revela um outro lado da doença: o impacto financeiro silencioso do câncer de ovário no Brasil. Nos últimos cinco anos, o tratamento da doença custou mais de R$ 469 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS), considerando hospitalizações e medicamentos de alto custo.

O dado chama atenção justamente porque o câncer de ovário ainda é considerado um dos tumores ginecológicos mais difíceis de identificar precocemente. Isso acontece porque os sintomas costumam parecer comuns e pouco alarmantes no início.

Sensação de barriga inchada, dores abdominais persistentes, alterações intestinais, desconforto pélvico e aumento do volume abdominal estão entre os sinais mais frequentes, mas muitas mulheres acabam relacionando os sintomas a questões hormonais, alimentação ou estresse.

Segundo o levantamento, apenas as internações relacionadas à doença consumiram R$ 301,43 milhões dos cofres públicos. Foram mais de 70 mil hospitalizações registradas no período analisado, envolvendo cerca de 12 mil pacientes. Já os tratamentos medicamentosos ultrapassaram R$ 167 milhões.

Para Douglas Andreas Valverde, o cenário reforça um problema já conhecido pelos especialistas: a maioria dos diagnósticos acontece em fases avançadas.

"Estamos falando de uma doença que ainda é diagnosticada, na maior parte das vezes, em fases avançadas, o que aumenta significativamente a complexidade do tratamento e, consequentemente, os custos para o sistema público de saúde. O uso de dados em saúde permite entender melhor esse cenário e contribui para a construção de políticas públicas mais eficientes", afirma.

O ginecologista Dr. César Patez explica que o acompanhamento ginecológico regular continua sendo essencial justamente porque os sinais da doença podem passar despercebidos.

"Muitas mulheres convivem durante meses com sinais sutis, como desconforto abdominal, sensação de inchaço e alterações intestinais, sem imaginar que isso pode indicar algo mais grave. O acompanhamento ginecológico regular continua sendo a principal ferramenta para aumentar as chances de descoberta precoce e tratamento adequado", destaca.

Outro tema que vem ganhando espaço nas conversas sobre saúde feminina é a relação entre endometriose e câncer de ovário. Embora os especialistas reforcem que a transformação direta da endometriose em câncer seja rara, o acompanhamento adequado faz diferença para reduzir riscos e evitar complicações futuras.

Para o ginecologista Dr. Vinícius Araújo, o diagnóstico precoce da endometriose pode mudar completamente o prognóstico da paciente."O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução da doença e intervir no momento certo. Em casos específicos, podemos pensar até em estratégias de preservação da fertilidade. O mais importante é um cuidado individualizado e multidisciplinar", explica.

O especialista também esclarece uma dúvida comum entre pacientes diagnosticadas com endometriose.

"A endometriose aumenta o risco de desenvolver câncer de ovário. No entanto, a endometriose não se transforma diretamente em câncer e esse risco adicional é estatisticamente muito baixo, afetando apenas uma pequena minoria das pacientes", afirma.

O debate em torno do câncer de ovário cresceu nos últimos anos justamente porque figuras públicas passaram a falar mais abertamente sobre saúde ginecológica, menopausa, fertilidade e prevenção. Para médicos, essa exposição ajuda a quebrar tabus e incentiva mulheres a procurarem acompanhamento antes que os sintomas avancem silenciosamente.

 

 

Assessoria de Imprensa: -Jornalista Sarah Carvalho-

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