
A folia silenciou. O brilho que guiava o cortejo de Belo Horizonte despediu-se da avenida antes da hora. Wallace Guedes, o homem que transformou a coroa de Rei Momo em um símbolo de resistência e renascimento, partiu nesta segunda-feira (27), aos 39 anos.
Sua história não foi escrita apenas com confete e serpentina, mas com a força bruta de quem conheceu o asfalto frio antes de reinar sobre ele. Em 2001, quando a vida lhe negava um teto, o Carnaval lhe deu um destino. Wallace não apenas participava da festa; ele era a própria personificação da fênix carnavalesca: alguém que emergiu da situação de rua para se tornar a autoridade máxima da alegria mineira.

Wallace Guedes partiu aos 39 anos, deixando um trono vazio e um legado imortal de quem transformou dor em sorriso - Fotos: Instagram @walleceguedesoficial
Eleito em 2020 e reconduzido ao trono em 2024, ele encerrou seu ciclo ainda vestindo o manto oficial da cidade. Wallace lutava contra uma leucemia desde o início de abril na Santa Casa, enfrentando a doença com a mesma dignidade com que carregava seu cetro.
Belo Horizonte perde um monarca, mas a cultura popular imortaliza um gigante. Wallace Guedes provou que o Carnaval é muito mais que um feriado; é o lugar onde o invisível se torna rei. A corte está em luto, mas o legado de seu sorriso permanece como o enredo mais bonito já desfilado nas ruas da capital.
Descanse em festa, Majestade.
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