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Rio registra 11 mil violações contra mulheres, mas denúncias não chegam a 15%

Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania são reflexo apenas dos três primeiros meses do ano

Redação AL
Por: Redação AL Fonte: A conta que não fecha
06/04/2026 às 14h25 Atualizada em 06/04/2026 às 22h59
Rio registra 11 mil violações contra mulheres, mas denúncias não chegam a 15%
Foto de Capa: Divulgação

Em meio ao registro de alta nos casos de violência contra a mulher em todo o Brasil, os dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que, em 2026, o Rio de Janeiro já registrou 11.370 violações contra a mulher, mas apenas 1.379 protocolos de denúncias foram formalizados. O cenário escancara o abismo entre ocorrência e denúncia, e revela um problema estrutural e psicológico que segue presente no cotidiano de muitas cariocas.

De violência física e doméstica a abusos psicológicos, morais e patrimoniais, a realidade imposta a milhares de mulheres ainda é marcada pela dor e pelo silêncio. E, para a advogada e professora do curso de Direito do Centro Universitário Anhanguera de Niterói, Andrea Souza, é exatamente nesse silêncio que a violência encontra terreno fértil para continuar. "O medo de denunciar está ligado a diversos fatores, como dependência emocional, financeira, medo de represálias, vergonha e até desconhecimento sobre os próprios direitos. Muitas acreditam que não terão acolhimento ou que a denúncia não vai mudar sua realidade", afirma.

A docente destaca que, ao longo de quase duas décadas, a Lei Maria da Penha se tornou um marco na proteção às mulheres, estabelecendo medidas protetivas, criminalização do agressor, atendimento prioritário e até direito a matrícula em escolas para vítimas e seus filhos. "Foram grandes conquistas, mas é preciso reconhecer que a eficácia da lei depende de sua aplicação, fiscalização e principalmente da confiança das mulheres em usá-la", reforça Andrea.

 

 

O desafio, segundo ela, vai além do campo jurídico. Envolve educação, autonomia econômica e políticas públicas de prevenção e acolhimento. "Precisamos de ações contínuas, não só em datas simbólicas. A mulher precisa saber que não está sozinha, que tem onde buscar ajuda e que será ouvida com respeito", afirma.

Ela destaca que, para mudar esse cenário, é essencial ampliar o debate desde cedo. "Educar para a igualdade de gênero nas escolas, nas famílias e nas empresas é parte do caminho. Além disso, oferecer oportunidades para que as mulheres tenham independência financeira pode ser decisivo para sair de um relacionamento abusivo", pontua.

A docente também reforça a importância de canais como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190 (Polícia Militar), que funcionam como porta de entrada para o rompimento do ciclo de violência. "O silêncio não protege, ele perpetua. A mulher precisa ser acolhida, não julgada. A denúncia pode ser o primeiro passo para salvar uma vida", destaca.

 

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Assessoria de Imprensa: -Letícia Zuim Gonzalez e Carolina Pinho- 

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