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A Dança do Tempo: Espaço Tápias inaugura 2026 celebrando a potência do corpo maduro
Vinte anos depois, Flávia Tápias volta ao palco com a remontagem de “Cinco Coreógrafos em um Corpo”
04/03/2026 16h01 Atualizada há 21 horas
Por: Redação AL Fonte: Memória em Movimento
Esquerda para direita: Letícia Xavier e Flávia Tápias - Foto de Capa: Espaço Tápias

O Espaço Tápias, um dos principais polos de criação, difusão e formação em dança no país, inaugura a temporada 2026 com um gesto artístico de grande densidade simbólica: a remontagem de "Cinco Coreógrafos em um Corpo", do Grupo Tápias, obra criada em 2006 para a bailarina e coreógrafa Flávia Tápias.

As apresentações acontecem nos dias 14, 15, 28 e 29 de março, na Sala Maria Thereza Tápias, no Rio de Janeiro, marcando não apenas a abertura do calendário artístico, mas uma afirmação contundente sobre memória, maturidade e permanência na dança contemporânea.

Concebido originalmente em duas versões — uma com cinco coreógrafos brasileiros e outra com cinco criadores internacionais — o projeto consolidou-se como um marco na trajetória do Grupo Tápias. A proposta era radical e simples: diferentes olhares coreográficos dialogando com um único corpo, explorando suas singularidades técnicas, expressivas e biográficas.

Vinte anos depois, o retorno do espetáculo não se configura como mera celebração nostálgica. Trata-se de uma releitura crítica, que confronta diretamente temas urgentes como o etarismo na dança e a invisibilização do corpo maduro nos palcos.

"Revisitar esses solos é revisitar quem eu fui e quem eu sou hoje. Existe uma potência no corpo maduro que precisa ser vista e celebrada", afirma Flávia.

A nova montagem reúne dez solos — cinco nacionais e cinco internacionais — apresentados em composições distintas a cada noite, convidando o público a acompanhar diferentes diálogos estéticos e dramaturgias corporais. Cada apresentação se transforma, assim, em uma curadoria específica, reforçando a vitalidade do repertório.

 

Flávia Tápias na primeira montagem de Cinco Coreógrafos em um Corpo - Foto: Divulgação

 

Diálogos internacionais e identidade brasileira

Entre as obras remontadas estão criações de nomes expressivos da cena contemporânea internacional e nacional:

  • "Light Piece / Copy That", de Pol Coussement (Bélgica), investigação sobre luz, imagem e percepção, em que o vídeo deixa de ser suporte e passa a ser matéria coreográfica.
  • "Living Room", de Stéphanie Thiersch (Alemanha), que tensiona sonho e confinamento, desejo e limite, em um espaço íntimo e perturbador.
  • Solo de Rami Levi (Israel), inspirado na fisicalidade animal e na experiência do criador junto a companhias internacionais de ponta.
  • "On ne se connaît pas encore mais", de Thomas Lebrun (França), inspirado na figura icônica de Carmen Miranda, explorando as contradições entre exuberância pública e melancolia íntima.
  • "Rede", de Giselle Tápias (Brasil), que transforma um símbolo cultural brasileiro em dramaturgia corporal.
  • "Da Família dos Crocodilos", de Paulo de Moraes (Brasil), obra de forte densidade dramática que integra o repertório histórico da companhia.
  • "Semelhante", de Henrique Rodovalho (Brasil), agora reinterpretado em 2025, tensionando estrutura musical e liberdade do gesto.

O conjunto evidencia a amplitude estética que consolidou o Grupo Tápias como ponte entre o Brasil e a cena europeia, especialmente em circuitos como França, Bélgica e Alemanha.

 

Transmissão e legado: uma nova geração em cena

A temporada também simboliza passagem e continuidade. Flávia Tápias compartilha o repertório com a bailarina Letícia Xavier, carioca de São Gonçalo, descoberta em audição e integrante da companhia desde o projeto "Café Não é Só uma Xícara".

Flávia Tápias estará no palco nos dias 14 e 28, e nos dia 15 e 29, Letícia apresentará cinco solos, reafirmando que a remontagem não é apenas memória — é legado em ação. O espetáculo, assim, ganha uma nova camada: o mesmo material coreográfico atravessando corpos de gerações distintas, revelando transformações, permanências e deslocamentos.

 

Um polo de criação e formação na dança contemporânea

Inaugurado em 30 de abril de 2022, na Avenida Armando Lombardi, o Espaço Tápias nasceu com o propósito de transformar vidas por meio da arte. Sob direção de Giselle Tápias e Flávia Tápias, nomes reconhecios nacionalmente e internacionalmente, o centro cultural consolidou-se como um núcleo de incentivo à criação, à pesquisa e à circulação da dança contemporânea no Brasil.

A estrutura conta com salas destinadas a aulas e ensaios, além da Sala Maria Thereza Tápias, voltada para espetáculos, encontros e apresentações artísticas. O espaço também acolhe artistas e professores independentes, fomentando um ambiente colaborativo de experimentação e intercâmbio.

A Semana de Portas Abertas representa não apenas uma oportunidade de conhecer cursos, mas de entrar em contato com um ecossistema artístico que articula formação, produção e difusão cultural.

 

Serviço:

Cinco Coreógrafos em um Corpo

Dias 14, 15, 28 e 29 de março de 2026

Horário: 19h

Local: Sala Maria Thereza Tápias – Espaço Tápias – Rio de Janeiro

Endereço: Av. Armando Lombardi, 175 – 2º andar, Barra da Tijuca - Rio de Janeiro

Ingressos: R$40 inteira e R$20 meia através da plataforma Sympla

Classificação: Livre

 

 

Assessoria de Imprensa: -Matéria Prima Comunicação e Arte-

Por -Alexandre Aquino e Cláudia Tisato-

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