
A segunda-feira de Carnaval (16) reafirmou a pluralidade do Rio, levando multidões às ruas com uma programação conectada a ritmos diversos, que foram além das clássicas marchinhas de Carnaval. Entre o Centro e a Zona Sul, blocos consagrados como Sargento Pimenta, Vem Cá Minha Flor e Que Pena Amor ditaram o ritmo da folia.
O clima de festa começou cedo na Avenida Marechal Câmara. Às 8h, o bloco Vem Cá Minha Flor abriu os trabalhos com 30 mil foliões, transformando o Centro em um mar de cores e fantasias autorais.
O clima de festa começou cedo na Avenida Marechal Câmara. Às 8h, o bloco Vem Cá Minha Flor abriu os trabalhos com 30 mil foliões, transformando o Centro em um mar de cores e fantasias autorais.
“Esse ano eu vou fazer 60 anos e desde os meus 10 anos eu amo o Carnaval de rua. Gosto de estar no meio das pessoas, de ser feliz. Gosto de toda farra, na verdade. É tudo muito natural e tranquilo”, disse Sônia Dias, que foi ao bloco acompanhada da filha e da sobrinha. “Viemos de Nova Iguaçu, saímos 4h30 de casa e fomos as primeiras a chegar. Isso tudo por amor ao carnaval!”, vibrou.
Leonardo Guidollini, um dos fundadores do bloco e produtor, contou que toda a essência do Vem Cá Minha Flor vem do subúrbio. “Eu também sou do subúrbio, sou de Campo Grande, e a gente traz essa cultura dos carnavais da Zona Oeste e da Zona Norte. Sou bate-boleiro, trabalho com a Velha Guarda de Paciência, é tradição eles desfilarem com a gente. E são dez anos com essa ideia de fazer um Carnaval florido, e cada ano cresce mais. Os foliões que se organizam e vai o desfile todo com eles, com os foliões fazendo a corda humana, e é bem orgânico, é bem maneiro”, detalhou.
Leonardo destacou que essa área do Centro ainda preserva os tradicionais bate-bolas. “Porque tem o concurso da Riotur na Cinelândia, mas o nosso público é majoritariamente da Tijuca, da Zona Sul, e lá não tem essa cultura dos bate-bolas. E a gente coloca como um elemento central ali no nosso desfile, eles desfilam mesmo, é certo eles estarem aqui todos os anos”, completou.
Este ano, 18 bate-bolas, entre adultos e crianças, abriram o cortejo do bloco. Atrás deles, um grupo de pernaltas e os ritmistas da banda fizeram a alegria de quem participou, tocando marchinhas de carnaval, sucessos do axé e clássicos da MPB, tendo o Centro Histórico do Rio como pano de fundo.
Marco Francisco Gonçalves, representante da turma de bate-bola que faz parceria com o bloco Vem Cá Minha Flor, ressaltou a importância de mostrar que essa cultura tão tradicional — muitas vezes associada, de forma equivocada, à violência — precisa resistir para continuar existindo.
“Esse já é o terceiro ano seguido que desfilamos e nós sempre participamos com muita aventura, alegria, amor, dedicação à manutenção dessa cultura que faz parte do nosso carnaval há décadas. Queremos mostrar à população que bate-bola não é violência e sim cultura, é alegria, amor, brincar e amar o próximo”, disse.

1a Foto: Que Pena Amor (Imagem: Gustavo Stephan) / 2a Foto: Vem Cá Minha Flor (Imagem: Fernando Maia) / 3a Foto: Sargento Pimenta (Imagem: Wagner Meyer)
Sargento Pimenta faz homenagem à Cássia Eller
O Palco Me Encontra, no Aterro do Flamengo, foi o cenário de um dos ritmos mais aguardados. Às 10h, o Sargento Pimenta subiu ao palco, fundindo a obra dos Beatles com a percussão brasileira e fazendo uma homenagem à cantora Cássia Eller.
Clássicos da banda inglesa ganharam roupagens de maracatu, samba e funk, provando por que o bloco é um fenômeno de público - ao todo cerca de 60 mil pessoas marcaram presença.
O Sargento Pimenta reafirmou sua identidade ao unir a tradição do Carnaval carioca à celebração da música internacional. Com raízes fincadas no Rio de Janeiro e no Brasil, o bloco ressalta a essência democrática da maior festa popular do país, marcada por reunir multidões em busca de alegria e celebração ao longo dos dias de folia.
O diretor executivo do Sargento Pimenta, Bernardo Berriel, destacou a tradição e os desafios de levar o bloco ao palco montado no Aterro do Flamengo. Segundo ele, o grupo desfila há 15 anos e mantém apresentações no espaço há mais de uma década. “É o maior palco do carnaval que a gente monta ali, e todo ano é um grande desafio”, afirmou.
Berriel também ressaltou a emoção de realizar o evento para o público. “É um prazer enorme fazer esse carnaval para milhares de pessoas. Com muita luta e esforço, a gente faz isso acontecer”, completou.
A percussão apareceu como elemento central da manifestação cultural do grupo, tratada como o “pulmão” que sustenta o desfile, enquanto os ritmos brasileiros funcionam como combustível artístico. A partir dessa fusão musical, o bloco percorreu simbolicamente diferentes regiões do país, exaltando histórias, influências culturais e a diversidade sonora nacional.
O coletivo também destacou a forte ligação com a obra dos The Beatles, banda britânica que revolucionou a história da música e influenciou gerações ao redor do mundo. A admiração ultrapassa o repertório musical e reflete o impacto cultural e artístico deixado pelo quarteto, capaz de transitar entre diferentes estilos e linguagens sonoras, do entusiasmo pop de “Yeah, Yeah, Yeah” à psicodelia de Lucy in the Sky with Diamonds.
Para o Sargento Pimenta, o legado do grupo se traduz em algumas das composições mais marcantes da música mundial, que seguem inspirando o trabalho e a trajetória do bloco.
O diretor artístico Leandro Donner explicou que a escolha por homenagear este ano a cantora Cássia Eller integra um ciclo de tributos a intérpretes brasileiras que mantêm forte ligação com a obra dos The Beatles, seguindo homenagens recentes a Rita Lee e Elis Regina.
“Depois do período da pandemia, quando ficamos dois anos sem Carnaval, voltamos com uma homenagem aos Beatles. Na sequência, com a morte da Rita Lee, fizemos o tributo a ela, e depois pensamos na Elis Regina. Neste ano, chegamos à Cássia, que também tem uma relação muito forte com o repertório dos Beatles. Desde o primeiro álbum, ela gravou músicas como Eleanor Rigby, além de interpretar Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e Get Back. É uma sequência de artistas brasileiras que admiramos e que também reverenciam o universo dos Beatles”, afirmou.
A multiartista Tacy foi uma das convidadas especiais do desfile de 2026. Cantora, compositora, instrumentista, modelo e atriz, a artista LGBTQIAPN+ se destaca pela atuação entre a música, o teatro e a cena contemporânea.
Tacy ganhou projeção nacional ao protagonizar o espetáculo “Cássia Eller, O Musical” e, desde então, vem se apresentando em palcos de grande visibilidade, como o festival Rock in Rio, além do Palco Me Encontra, no Aterro do Flamengo.
A cantora Amandona também fez participação na apresentação do bloco Sargento Pimenta e destacou a importância da artista.
“A gente vai homenagear a Cássia, cantando ‘Luz dos Olhos’ e ‘Malandragem’, além de apresentar uma música autoral inspirada no som dela, ‘Meu Vicio’, que vou dividir com o Sargento Pimenta. Acho essa homenagem mais do que justa. Cássia foi uma mulher atemporal e inspiradora, principalmente para outras mulheres e para a população LGBT+. É um símbolo que precisa ser sempre lembrado”, afirmou.
A foliã e fã do bloco Lia Palka afirmou que costuma marcar presença no desfile todos os anos e ressaltou o carinho que tem pela apresentação. “Todos os anos eu fico aqui, no gargarejo, com a palavra ‘love’ em letras infláveis. Esse é o meu bloco favorito para assistir, apesar de eu tocar em outros blocos. Eu toco chocalho, mas esse eu gosto mesmo é de ver”, disse.
A programação completa vai até o dia 22 de fevereiro e pode ser conferida no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial https://www.carnavalderua.rio/ garantindo que todos os foliões saibam onde e quando a folia vai rolar.
Assessoria de Imprensa: -Riotur-
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