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Quando o silêncio encontra o axé: São Paulo ensaia um novo começo espiritual em 2026

Diálogo, Fé e Respeito

Redação AL
Por: Redação AL Fonte: Religião
15/01/2026 às 14h36 Atualizada em 15/01/2026 às 15h14
Quando o silêncio encontra o axé: São Paulo ensaia um novo começo espiritual em 2026
Foto de Capa: Divulgação

A Bênção de Ano Novo, ontem 14/01, reuniu Monja Coen, Pai Denisson D’Angiles e Mãe Kelly D’Angiles numa cena que São Paulo ainda não naturalizou: o Zen e a Umbanda dividindo o mesmo espaço unindo forças sem perderem a essência e suas origens.

O que se via na entrada não era espetáculo, mas expectativa. Pessoas de todas as idades aguardavam em silêncio atento, como quem não busca entretenimento, mas algum tipo de resposta para o ano que acabara de nascer.

 

No palco, ao lado da Monja Coen e Mãe Kelly, Pai Denisson destacou os Exus como força de movimento, proteção e transformação espiritual - Foto: Divulgação

 

Monja Coen conduziu a cerimônia com o rigor sereno de quem já atravessou muitas viradas de calendário. Falou de diálogo interreligioso sem usar a palavra como slogan. Falou da necessidade de se reformar continuamente — “todo dia a gente começa de novo”, resumiu. Entoou a bênção em japonês, pediu silêncio, ensinou o valor do zazen, aquele sentar-se que parece simples, mas que, na prática, desmonta qualquer arrogância espiritual. O teatro inteiro, por alguns minutos, respirou no mesmo ritmo. Em meio à uma chuva intensa que antecipou a palestra, a Monja brincou: “Estou feliz que o teatro está cheio, pensei que não viesse ninguém por causa da chuva”, arrancando gargalhadas da plateia.

Quando o Grande Livro Dourado da Sabedoria Perfeita foi aberto, não houve efeito especial. Houve olhos marejados. O tipo de cena que não rende boa foto, mas rende memória.

Chamou para o palco seus discípulos juntamente com o casal de Umbandistas.

Mãe Kelly puxou o encontro de volta para o chão. Agradeceu pela oportunidade e lembrou que espiritualidade que não combate a fome vira discurso oco. Falou de respeito mútuo como exercício cotidiano — não como tolerância condescendente, mas como prática política da vida comum. O público, que até então estava contemplativo, começou a balançar a cabeça em concordância. Era a prática da boa-fé.

Pai Denisson entrou em seguida com a vibração que o acompanha. Falou dos Exus como força de movimento e proteção, entoou um ponto cantado que rompeu de vez a fronteira entre palco e plateia e, de quebra, lançou uma provocação: por que a Paulista já foi tomada por evangélicos e católicos em bênçãos públicas, mas ainda estranha quando a Umbanda e o Zen propõem o mesmo gesto? “Ano que vem a gente vai fazer isso lá fora, na virada do ano com a concordância da Monja Coen e da Mãe Kelly. É a democracia e liberdade religiosa em ação.”, disse, arrancando sorrisos e aplausos que não soaram protocolados.

Do lado de fora, a Avenida Paulista seguia em sua coreografia habitual de buzinas e pressa. Mas, ali dentro, por quase duas horas, São Paulo ensaiou outra coisa: menos barulho, mais escuta; menos disputa, mais convergência.

Para quem acha que espiritualidade é assunto privado, a noite de ontem deixou um recado para todos: quando o silêncio encontra o axé, a cidade muda de frequência.

 

 

Por -Pai Denisson D’Angiles-

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