A Catedral da Sé, no centro de São Paulo, foi palco neste sábado (25) de um ato inter-religioso que marcou os 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975. A cerimônia reuniu autoridades, representantes de diversas tradições religiosas e figuras públicas em um gesto coletivo de memória, resistência e reafirmação dos valores democráticos.
Dr. Geraldo Alckmin, presidente em exercício, compareceu acompanhado da primeira-dama Lu Alckmin. A presença do casal foi recebida como um gesto simbólico de respeito à trajetória de Herzog e ao compromisso institucional com a democracia e os direitos humanos.
Entre os presentes, destacaram-se o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, o ex-jogador e comentarista Walter Casagrande, a Deputada Federal Luiza Erundina, o ex-senador Eduardo Suplicy, a jornalista Sandra Annenberg, a apresentadora Astrid Fontenelle e o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, histórico integrante da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo. A presença de todos reforçou o caráter plural e engajado do ato, que reuniu diferentes gerações da luta por direitos humanos.
Participaram também lideranças religiosas e representantes da sociedade civil. Os sacerdotes de matriz africana Pai Denisson D’Angiles e Mãe Kelly D’Angiles marcaram presença com suas indumentárias ritual e posturas serenas, representando as tradições afro-brasileiras, embora não tenha tido espaço de fala durante o ato.
Geraldo Alckmin, Maria Lúcia Guimarães Ribeiro Alckmin, Mãe Kelly D’Angiles e Pai Denisson D’Angiles - Foto de Capa: Divulgação
Em conversa após a cerimônia, Pai Denisson destacou a importância da pluralidade religiosa em espaços de memória e justiça, especialmente diante da presença de autoridades como o presidente em exercício Geraldo Alckmin:
“A democracia se fortalece quando todas as vozes são ouvidas — inclusive as que historicamente foram silenciadas. A liberdade de culto e o combate à fome caminham juntos, porque não há espiritualidade plena onde falta dignidade”, afirmou.
“A memória é semente que germina resistência. Não basta lembrar — é preciso agir com força e coragem.” “Seguimos firmes, porque a justiça não se alcança com silêncio, mas com união e coragem para enfrentar o que ainda precisa mudar para se promover a paz”.
A condução da cerimônia ficou a cargo do cardeal Arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer, do rabino Uri Lam e de Isabel Wright, filha do reverendo James Wright — um dos principais nomes da resistência religiosa à ditadura. Juntos, eles guiaram momentos de oração, reflexão e homenagem, reforçando o papel das religiões na defesa dos direitos humanos.
A memória de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo durante os anos de chumbo e figura central na denúncia das violações cometidas pelo regime militar, foi lembrada com reverência. Também esteve presente a família Herzog representada por Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog, que tem se dedicado à preservação da memória do pai e à promoção dos valores democráticos por meio do Instituto Vladimir Herzog.
O ato terminou com uma salva de palmas e a execução coletiva de “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil — canção que se tornou símbolo da resistência à censura e à repressão durante os anos de chumbo.
Por -Thaís Morgado-
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