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Alerta: Alimentação adequada é aliada no tratamento do câncer infantil e pode reduzir risco da doença na vida adulta

Especialista aponta que excesso calórico na infância aumenta risco de câncer; nutrição adequada melhora adesão ao tratamento e reduz toxicidades

Jornalista Anderson Lopes
Por: Jornalista Anderson Lopes Fonte: Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE)
20/10/2025 às 13h55
 Alerta: Alimentação adequada é aliada no tratamento do câncer infantil e pode reduzir risco da doença na vida adulta
Foto de Capa: Freepik

Uma alimentação saudável e equilibrada na infância tem impacto direto e comprovado não apenas no tratamento do câncer infantil, mas também na prevenção de diferentes tipos da doença ao longo da vida. A Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) reforça a importância da nutrição adequada durante todas as fases do tratamento oncológico e destaca o papel da alimentação quando se trata de prevenir doenças crônicas, como o câncer, na vida adulta.

"As evidências na área reforçam o que observamos na prática clínica diária: a alimentação na infância impacta diretamente a saúde do indivíduo durante toda sua vida. Quando falamos de crianças com câncer, o cuidado nutricional se torna ainda mais urgente, já que ele influencia a resposta ao tratamento e a qualidade de vida do paciente", afirma Juliana Nabarrete, nutricionista e integrante do Comitê de Nutrição da SOBOPE.

 

Da prevenção à recuperação

De acordo com o Comitê de Nutrição da SOBOPE, o suporte alimentar individualizado é essencial para o manejo de efeitos colaterais das terapias, manutenção do estado nutricional e adesão ao tratamento. A desnutrição ou a obesidade pode comprometer a eficácia das intervenções clínicas, aumentar toxicidades e prejudicar o prognóstico.

Um estudo brasileiro recente, que envolveu 723 crianças e adolescentes em tratamento oncológico, revelou alta prevalência de desnutrição no momento da internação, especialmente em regiões mais vulneráveis. Esse estado nutricional adverso foi associado a maior risco de óbito e reinternação, demonstrando o impacto direto da nutrição sobre os desfechos clínicos.

"Quando se fala em nutrição no câncer infantil, não estamos apenas tratando somente do presente, mas cuidando da saúde futura dessa criança. É uma ação que vai além do prato; trata-se de prevenção, cuidado e qualidade de vida", completa Juliana Nabarrete.

 

A SOBOPE reforça que a atuação do nutricionista deve acompanhar o paciente em todas as fases:

Diagnóstico – O estado nutricional, hábitos alimentares e o tratamento previsto são analisados logo no início. Uma consulta precoce garante melhor preparo da família e da criança para o que está por vir.

 

Tratamento – Náuseas, perda de apetite e mudanças no paladar são comuns e exigem ajustes na dieta - como consistência e quantidade, prescrição de suplementos e, se necessário, uso de alimentação enteral. O plano deve sempre respeitar as individualidades do paciente.

 

Pós-tratamento – A fase de recuperação requer reeducação alimentar. Aumentar o consumo de frutas e legumes e reduzir alimentos ultraprocessados são metas importantes. O suporte nutricional contribui para evitar recaídas e promover saúde de longo prazo.

 

Custo social e econômico

A má alimentação na infância não é apenas um problema clínico. É também uma questão de saúde pública. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que a obesidade infantojuvenil gerou um custo de R$ 225 milhões entre 2013 e 2022, incluindo internações, medicamentos e tratamentos para comorbidades. Em São Paulo, os atendimentos hospitalares relacionados à obesidade infantil aumentaram 2.475% em oito anos.

 

Sobre a SOBOPE

Fundada em 1981, a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) tem como missão disseminar o conhecimento sobre o câncer infantojuvenil e seu tratamento, uniformizar protocolos terapêuticos em todo o país e representar os oncologistas pediátricos junto aos órgãos governamentais. Atua na formação de profissionais e no desenvolvimento de diretrizes para diagnóstico e tratamento mais eficazes e humanizados.

 

 

Assessoria de Imprensa: -RS Press-

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