Na última sexta-feira, 17 de outubro, a quadra da Gaviões da Fiel se transformou em um espaço de fé, resistência e celebração. O ato interreligioso conduzido por Pai Denisson D’Angelis reuniu representantes de diversas tradições espirituais em torno de temas urgentes: o combate à fome e a liberdade religiosa. A noite começou com uma bênção poderosa, que consagrou o local e os presentes com palavras de acolhimento e proteção.
Vestido de branco e com a força espiritual que o acompanha, Pai Denisson entoou o hino da Umbanda e cantou para Exu, em um momento que fez a quadra vibrar. O público, formado por fiéis, sambistas e curiosos, respondeu com palmas, lágrimas e cantos. “Foi como se a energia da quadra se elevasse”, comentou uma das participantes. O ato, que começou com orações e reflexões sobre a fome no Brasil, ganhou contornos de celebração e resistência.
“Falar de liberdade religiosa é falar de dignidade. É garantir que cada pessoa possa expressar sua fé sem medo, sem violência, sem preconceito”, disse Pai Denisson durante sua fala, que foi acompanhada por líderes de outras religiões, como pastores evangélicos, padres católicos e representantes do candomblé. Ele reforçou que a espiritualidade, quando vivida com respeito, é uma força capaz de unir e transformar.
Em outro momento, o sacerdote destacou a urgência do combate à fome: “Não há espiritualidade plena com o prato vazio. A fome não escolhe religião, e é nosso dever, como líderes e cidadãos, lutar para que ninguém precise escolher entre comer e rezar.” A fala foi recebida com aplausos e gritos de apoio.
O ápice da noite veio quando, após o encerramento oficial do ato, Pai Denisson foi convidado a cantar o samba-enredo de 1995 da Gaviões da Fiel, “Coisa boa é para sempre”. Com humildade e emoção, ele aceitou. “Cantar esse samba é uma honra que não cabe em palavras. A Gaviões é resistência, é cultura, é fé. Me sinto uma formiguinha diante dessa história, mas profundamente grato por fazer parte dela, mesmo que por uma noite”, declarou.
A quadra, já tomada pela vibração espiritual, se transformou em um terreiro de alegria e memória. E ali, entre o tambor e o surdo, entre o axé e o samba, ficou claro: coisa boa é para sempre, e a fé também.
Por -Thaís Morgado-
@ Portal AL 2.0.2.5