
Em meio ao conflito armado que devasta a Ucrânia há mais de três anos, um estudo recente expõe como o estresse crônico está remodelando os hábitos diários dos civis, elevando riscos cardiovasculares e mentais. Publicado na Academia Medicine em dezembro de 2024, o trabalho Prevalence of Behavioral Risk Factors among Ukrainians during War amid Existing Stress Factors, liderado pela pesquisadora ucraniana Olena Kolesnikova, do Instituto Nacional de Terapia L. T. Malaya, revela que 72,4% dos ucranianos sofrem de distúrbios do sono, 55,6% reduziram a atividade física e 34,7% enfrentam problemas alimentares. "A guerra não só destrói infraestruturas, mas corrói o bem-estar comportamental, criando um ciclo vicioso de vulnerabilidades que pode durar gerações", comenta o neurocientista luso-brasileiro Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, que acompanha de perto o impacto em refugiados ucranianos instalados em Portugal.
Realizado entre janeiro e agosto de 2023 com 196 ucranianos, o estudo utilizou um questionário proprietário para mapear fatores comportamentais, socioeconômicos e culturais. Os resultados mostram um aumento de 13,3% no tabagismo e 16,8% no consumo de álcool, agravados por estresse prolongado que eleva níveis de cortisol, promovendo resistência à insulina, hipertensão e dislipidemia. Kolesnikova e sua equipe, incluindo Olena Vysotska, Anastasiia Radchenko, Olga Zaprovalna e Nataliya Emelyanova, destacam que esses comportamentos – reversíveis, mas urgentes – são impulsionados por traumas como PTSD (transtorno de estresse pós-traumático), perda de entes queridos e instabilidade financeira. "Condições de guerra exacerbam comportamentos não saudáveis, como fumar e beber em excesso, reduzindo o acesso a cuidados médicos", afirmam as autoras no paper (DOI: 10.20935/AcadMed7469).

Dr. Fabiano de Abreu, diretor do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH) e presidente da ISI Society, uma das mais prestigiadas sociedades de alto QI, tem monitorado ucranianos que fugiram para Portugal desde 2022. Muitos, acolhidos em programas de integração lusos, compartilham relatos que ecoam os achados do estudo. "Acompanho dezenas de casos pessoalmente: mães que não dormem por medo de sirenes noturnas, profissionais que abandonaram exercícios por ansiedade constante, e jovens que recorrem ao álcool para lidar com o luto. Minha análise holística, combinando neurociência e relatos qualitativos, comprova esses dados – o estresse da guerra ativa o eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal), desregulando dopamina e serotonina, o que leva a esses padrões", explica Abreu, que detém o recorde de maior QI da Península Ibérica (160 pontos na Escala Wechsler).
Em sua visão, os 36,2% que relataram perda de peso no estudo refletem não só escassez alimentar, mas hipervigilância crônica – um traço que ele observa em refugiados: "Eles descrevem uma 'paralisia emocional', onde o foco em sobrevivência suprime o apetite, mas agrava deficiências nutricionais". Já o ganho de peso em 22,4% dos casos, segundo Abreu, liga-se a 'comfort eating' sob estresse, um mecanismo límbico que ele estuda em contextos de trauma. "Esses ucranianos em Portugal, muitos com PTSD subclínico, confirmam: sem intervenções, esses fatores evoluem para comorbidades como diabetes e depressão, perpetuando ciclos intergeracionais", adiciona o neurocientista, que fundou o Genetic Intelligence Project (GIP) para mapear respostas genéticas ao estresse.
Abreu enfatiza a urgência de triagem personalizada: "Programas de screening devem considerar estressores específicos, como perda de emprego (afetando 40% dos refugiados que atendo) ou isolamento social, integrando terapia cognitivo-comportamental com monitoramento neurofuncional". Sua experiência com superdotados e neurodivergentes, aliada a projetos como o Gifted Debate, reforça que populações vulneráveis como os ucranianos precisam de abordagens holísticas, não só reativas.
O estudo alerta para o subdiagnóstico de BRFs (fatores de risco comportamentais) em zonas de guerra, onde sistemas de saúde colapsam. Jawad et al. (2017), citados no paper, analisaram 65 conflitos e ligaram estresse bélico a um aumento de 30% em doenças coronárias. Nos EUA, sobreviventes do 11 de Setembro com PTSD tiveram risco 1,72 vezes maior de mortalidade cardiovascular. Em Portugal, Abreu vê um "efeito cascata": refugiados ucranianos enfrentam maladaptação social, com relatos de insônia persistente que afeta 70% dos que atende – números alinhados aos 72,4% do estudo.
"Este trabalho é um chamado à ação para a Europa: integre esses dados em políticas de acolhimento. Meus relatos de campo mostram que, sem suporte, o trauma se enraíza, mas com intervenções precoces, há resiliência", conclui Abreu, pioneiro em conceitos como Inteligência DWRI e depressão executiva. Com o conflito ucraniano longe de acabar, o estudo e esses testemunhos sublinham: a guerra não termina na frente de batalha; ela se infiltra nos hábitos diários.
Fontes: Estudo de Kolesnikova et al. (2024); entrevista com Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues; arquivos do CPAH e relatos de campo em Portugal.
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