
No ano em que completa quatro décadas de atividades, a Cia Fanfarra Carioca apresenta o espetáculo musical infanto-juvenil Os Griôs, no teatro Glaucio Gil, entre os dias 09 e 30 de agosto, aos sábados e domingos, sempre às 16 horas.
Contemplado no edital Fluxo Fluminense, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, o espetáculo dá continuidade à pesquisa para uma dramaturgia decolonial, iniciada em 2013 pela diretora e dramaturga Loly Nunes, também diretora da Cia. Fanfarra Carioca. A pesquisa visa ampliar a inclusão, o protagonismo de artistas negros e a construir uma educação antirracista baseada na pluralidade. "É um encantador encontro com a alma popular afro-fluminense", afirma a diretora.
Na montagem, os artistas cantam e contam histórias sobre os Impérios Africanos, a origem dos Griôs e sobre a força das tradições orais. O enredo ressalta ainda a rica contribuição dos africanos para a construção da cultura brasileira, bem como o surgimento da capoeira, do samba e do carnaval. O espetáculo inicia nos antigos Impérios da África Ocidental, na região do Sahel e termina na Pequena África, situada na extinta Praça Onze no Rio de Janeiro.
As histórias trazem personagens reais da nossa história, mas que raramente são mencionados nos livros de história. É este o caso de Dom Obá II, que disse ser herdeiro de um reino na África. Seu pai Bemvindo da Fonseca Galvão, era filho do Rei Alafin Abiodun Atiba do Império de Oyo. Essas histórias são interligadas, levando o público a perceber que uma história está conectada com a outra.
"A origem dos Griôs nos leva aos Impérios Africanos, que nos levam a Dom Obá II, a origem da capoeira, a Pequena África, a Tia Ciata, ao samba e tudo acaba em carnaval com a marchinha carnavalesca 'O Abre Alas'", explica Loly Nunes.
As histórias contadas e cantadas no musical são Os Contos De Ananse - o Homem Aranha - que fala sobre a origem dos Griôs; e O Épico de Sundiata Keita e o Império Do Mali, que tendo nascido com um problema físico que o impedia de andar, Sundiata Keita superou a sua deficiência para unificar os reinos fragmentados da região e criou o imenso Império do Mal.
Acessibilidade e formação de plateia
O projeto Os Griôs, pensando em diversificar e abranger seu público, realizará também uma apresentação gratuita para alunos das escolas públicas vizinhas ao teatro, incentivando o projeto de formação de plateia e a lei 10.639, que obriga o ensino da cultura afro-brasileira em escolas do ensino fundamental e médio.
Além disso, no domingo, será realizada uma apresentação no próprio teatro para pessoas com deficiências auditivas com uma intérprete de libras e, ainda na 1ª semana de agosto, haverá um bate papo com Sidney Mattos, que é músico, arranjador e compositor e pessoa com deficiência, para falar sobre acessibilidade.
Ainda dentro do propósito de levar acessibilidade a locais diversos, o projeto realiza mais duas apresentações em quilombos, sendo uma no Quilombo da Marambaia, em Mangaratiba, e outra no Quilombo Urbano Ferreira Diniz, no Rio de Janeiro.
"Nosso objetivo é levar o projeto para um maior número de pessoas e, principalmente, para essas pessoas que exigem uma atenção diferenciada dos produtores de cultura", pontua Loly Nunes.
Sobre os Griôs
Na África, os griôs são considerados bibliotecas vivas. São histórias que são passadas de uma geração para outra, através da "tradição oral". Os griôs guardam e transmitem memórias e ensinamentos que unem idosos, adultos e crianças, interligando passado, presente e futuro. Eles contam, cantam, tocam instrumentos musicais e são considerados artistas completos.
Antes mesmo do termo "griô" começar a ser difundido no meio da cultura, da educação e até das mídias no Brasil, os griôs eram conhecidos como guardiões dos saberes populares. As histórias que "Os Griôs" contam, trazem ensinamentos de vida e tratam de uma grande diversidade de assuntos, tais como, costumes, saberes, modos de viver, saúde, eventos históricos, coisas do passado e do presente. Eles são artistas, andarilhos e a palavra para eles é sagrada, a palavra traz o saber e a cura.
Sobre a Fanfarra Carioca
Como grupo de teatro, a Fanfarra Carioca iniciou sua atividade como grupo em 1985 e formalizou-se como produtora em 1993. A estreia ocorreu com o espetáculo Bailei na Curva, grande sucesso da temporada de 85. O espetáculo conquistou diversos prêmios: o Prêmio Inacen de Melhor
Espetáculo do Ano; o Prêmio de Melhor Espetáculo do Festival da Serra em Teresópolis, organizado por Domingos Oliveira e a participação internacional, como representante do Rio de Janeiro no IX FITEI Festival Internacional de Expressões Ibéricas na Cidade do Porto, em Portugal.
Depois de uma turnê em Portugal a Fanfarra Carioca produziu diversos espetáculos teatrais com foco na Cultura Brasileira, destacando-se os espetáculos: Somos todos 22; Anita Garibaldi, Tupy or not Tupy; Fogo Morto; Paixões; Monteirices Lobatianas; Quintaneando; Tia Ciata, entre outros com temporadas em teatros do Rio e turnês nacionais.
Ficha técnica
Roteiro e direção: Loly Nunes
Figurinos, cenários e adereços: Márcia Marques e Marcos Arruso
Coreografias: Arthur Rosas
Direção Musical: Célio Maia
Iluminação: Djalma Amaral
Produção Executiva: Suelen Santos
Atores: Ricardo Lopes | Hugo Germano
Dançarino: Éder Martins de Souza
Músicos: Flávia Enne | Taty Aleixo | Natan Garcia | Eurico Nascimento
Serviços
De 9 a 31 de agosto - sábados e domingos, às 16 horas
Teatro Glaucio Gil - Pç. Cardeal Arcoverde, s/n, Copacabana, Rio de Janeiro
Lotação: 100 lugares
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre - indicado a partir dos 06 anos
Entrada: R$ 40 (inteira) R$ 20 (meia)
-Assessoria de Imprensa Alessandra Costa-
@ Portal AL 2.0.2.5