Dados divulgados ontem (24) no Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, dos 1492 feminicídios registrados no Brasil em 2024, 63,6% eram mulheres negras (pretas e pardas). Alinhado com a média nacional, elas também representam 63,6% das vítimas dos 51 casos de feminicídio ocorridos no Rio de Janeiro. A pesquisa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), existe desde 2011 e mapeia os registros criminais feitos anualmente pelas secretarias de segurança pública dos 26 estados e do DF.
Outras informações alarmantes do Rio de Janeiro:
-10,8% das medidas protetivas concedidas foram descumpridas pelos agressores, indicando falhas na efetividade da proteção às mulheres, e a incidência de estupros ser de 20,4 a cada 100 mil habitantes;
-dos estupros, 87,7% aconteceram com mulheres, 55,6% delas eram negras e 65,7% dos casos ocorreram em casa;
-entre as mortes violentas intencionais (MVI), ocorreram 22,1 a cada 100 mil habitantes, número superior ao da média da região Sudeste, de 13,3. Além disso, 79% das vítimas de MVI no RJ eram pretas ou pardas;
O RJ ficou entre os estados brasileiros com maior número de chamadas por violência doméstica, com 2 acionamentos ao número de emergência policial (190) por minuto em 2024. Totalizando 130 mil ligações, ficou atrás somente de Minas Gerais e São Paulo, com 150 e 280 mil chamados, respectivamente.
Vê-se a gravidade da violência de gênero e racial no Rio de Janeiro, onde mulheres negras seguem sendo as principais vítimas de feminicídio, estupro e mortes violentas. A alta taxa de descumprimento de medidas protetivas e o volume de chamadas por violência doméstica apontam para a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes, com recorte racial e de gênero, capazes de garantir proteção real e combater a impunidade.
"Enquanto não houver investimento em prevenção, apuração rigorosa dos crimes e apoio às vítimas, o estado continuará falhando no enfrentamento a essa crise humanitária. A ONG CRIOLA, com sua Rede Empoderando Mulheres Negras para o Enfrentamento à Violência Racial e de Gênero, vem trabalhando contra as violências cometidas a partir do racismo patriarcal cisheteronormativo através de ações de incidência política por todo o Brasil", declara Mônica Sacramento, coordenadora programática da ONG CRIOLA.
Porta-voz
Patrícia Oliveira de Carvalho - Assistente de Coordenação de Projetos da ONG CRIOLA.
-Assessoria de Imprensa Marcele Ferraz e Carolina Wanderley-
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